domingo, 9 de agosto de 2026

CURSO - AGOSTO E SETEMBRO

 EDUCAÇÃO E AFETO: Quando a Aprendizagem Encontra o Que o Corpo Pode


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Com a criação da Internet na metade do Século XX, evidencia-se que o encontro do homem com o silício

(Deleuze) logo substituiria toda a organização social que teria se dado com o encontro do homem com o

carbono, ferro e fogo. Não que seja um processo evolutivo, como muitos apresentam, mas o surgimento de

uma nova forma de se constituir e compor uma época que está se dando, com novas tecnologias e objetos técnicos.

É inegável que ainda há muito da modernidade em nosso dia a dia, em nossos fazeres ou ainda mesmo

utilizamos de suas instituições, a Escola é um grande exemplo disso. Mas também não podemos negar que

vivemos uma grande crise no viés Moderno, principalmente em suas instituições, como a própria escola

citado aqui, o que nos leva a problematizar se a própria escola é capaz ainda de assegurar o que ela ainda se

propõe.

Não podemos fechar os olhos para a quantidade de corpos que estão medicalizados dentro de seus muros,

não só dos alunos, que cada dia que se passa o número de transtornos ocupam cada vez mais suas cadeiras,

as também dos professores que estão adoecendo. A escola já é dita como um dos piores lugares de trabalho,

o número de jovens que buscam as licenciaturas está reduzindo cada vez mais.

Tal crise, demonstra que as instituições modernas, principalmente as disciplinares que produziam corpos

dóceis e úteis, vão perdendo sua eficácia, pois os corpos que são necessários agora, para essa nova época,

são corpos modulados e não mais dóceis e úteis. E não são somente as instituições que vão perdendo a sua

eficácia, mas também suas tecnologias e objetos técnicos que deixam de ser eficientes.

Não que sabemos efetivamente o que se dá nessa nova época que surge e nos envolve em nossos afazeres,

mas ela vem demonstrando que possuem outras maquinarias capazes de produzir corpos modulados, que

atendem a necessidade do sistema que se constitui.

Vivemos, portanto, um momento adequado para questionar a nossa própria civilização, sua organização e

assim realizarmos uma autocrítica. Uma delas, sem dúvida, está na valorização da razão pela Modernidade,

que procurou ocupar o lugar de uma transcendência, capaz não só de conhecer, explicar e dominar o mundo,

mas de moldá-lo a padrões únicos.

Aqui questionaremos seu reflexo Epistemológico, que para nós se resume muito mais a um programa do que

a uma aprendizagem verdadeiramente. Tanto que nossa Educação, desde sua origem, opera a partir da

transmissão do conhecimento enciclopédico, sonho Iluminista que inaugura a nossa escola. Operando,

portanto, sempre a partir de um conhecimento prévio, recognição, que chamamos na Educação de currículo

e infelizmente o que vemos não é uma tentativa de sair dessa programação em direção a uma aprendizagem,

mas de salvar o próprio currículo.

O que temos são tensões que ainda circulam em direção a uma valorização da razão em nome de uma

programação, que podemos chamar de aprendizagem racional transvestida de aprendizagem, que nunca

salvou ninguém e que ainda busca em seus discursos a proteção do conhecimento enciclopédico como o

único conhecimento válido, argumentando que outra aprendizagem ou conhecimento estaria esvaziando o

currículo.

O que propomos, em nosso Curso EDUCAÇÃO E AFETO: Quando a Aprendizagem Encontra o Que o

Corpo Pode. é buscar por um processo de aprendizagem que ao longo do tempo foi discriminado ao ser

rotulado como Aprendizagem Intuitiva, que se dá no corpo, em detrimento a uma Aprendizagem Racional,

dita superior. Dessa forma, buscamos encontrar nas relações do corpo com a realidade, os processos

vivenciados que se dão por problematização.

Não se trata de idealizar a Educação, muito menos a escola que não temos, mas sim partir da realidade que se

apresenta na própria escola, mas a um primeiro momento, validar, não o conhecimento enciclopédico, mas o

que o corpo pode, pois conhecer o que o corpo pode é abrir-se ao desejo e, dessa forma, possibilitar uma

aprendizagem “que não se deseja o que aprende, mas aprende o que se deseja” (BARROS).Vale ressaltar

que não somos contra a Razão e nem mesmo o que chamam de Aprendizagem Racional, principalmente

porque tanto a Razão como a Capacidade Racional estão relacionadas também com o que o corpo pode. Nós

só não a tratamos ou a relacionamos como algo a parte ou superior ao corpo, isto é, ao relacioná-las com o

que o corpo pode, não há nenhum binarismo e nem hierarquia.






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AGOSTO: Aportes Filosóficos.

Encontro 1: Da Capacidade Criativa a Valorização da Razão.

  • Fatores Históricos


Encontro 2: O Pensamento Imanente e a Potência do Corpo.

  • Questões Conceituais


SETEMBRO: Cognição.

Encontro 3: A Aprendizagem Intuitiva e a Aprendizagem Racional.

  • O Corpo e a Aprendizagem


Encontro 4: Cognição Inventiva.

  • Um Corpo Cognoscível?




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BIBLIOGRAFIA

BARROS. G. A. 10 Teses Sobre Experiência e Educação: leituras Deleuzianas. Tese de doutorado. São

Carlos: PPGE/UFSCar , 2020


DELEUZE, G. Diferença e repetição. Tradução de Luiz B. L. Orlandi. Roberto Machado. 2. ed. São

Paulo: Graal, 2006. 437 p.


DELEUZE, G. Espinosa Filosofia Prática. Tradução de Daniel Lins e Fabien Pascal Lins. São Paulo:

Escuta, 2002a. 144 p.


DELEUZE, G. Nietzsche e a Filosofia. Tradução de Mariana de Toledo Barbosa e Ovídeo de Abreu Filho.

São Paulo: n-1 editores, 2018a 256p.


GALLO, S. O problema e o conceito: em torno de um “método regressivo” para o ensino de filosofia.

In: R. GOTO & S. GALLO (ORG) Da Filosofia Como Disciplina: Desafios e Pespectivas. São Paulo:

Edições Loyola, 2011. pp. 67-95.


KASTRUP, V. Aprendizagem, arte e invenção. In: D LINS (ORG) Nietzsche e Deleuze Pensamento

nômade. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001. pp. 207-223.


KASTRUP, V. O devir-criança e a cognição contemporânea. Psicol. Reflex. Crit. [online]. 2000, vol.13,

n.3, pp. 373-382.


SPINOZA, B. SPINOZA, B. Ética. Tradução de Tomaz Tadeu. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica. 2010. 423 p.





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