EDUCAÇÃO E AFETO: Quando a Aprendizagem Encontra o Que o Corpo Pode
Com a criação da Internet na metade do Século XX, evidencia-se que o encontro do homem com o silício
(Deleuze) logo substituiria toda a organização social que teria se dado com o encontro do homem com o
carbono, ferro e fogo. Não que seja um processo evolutivo, como muitos apresentam, mas o surgimento de
uma nova forma de se constituir e compor uma época que está se dando, com novas tecnologias e objetos técnicos.
É inegável que ainda há muito da modernidade em nosso dia a dia, em nossos fazeres ou ainda mesmo
utilizamos de suas instituições, a Escola é um grande exemplo disso. Mas também não podemos negar que
vivemos uma grande crise no viés Moderno, principalmente em suas instituições, como a própria escola
citado aqui, o que nos leva a problematizar se a própria escola é capaz ainda de assegurar o que ela ainda se
propõe.
Não podemos fechar os olhos para a quantidade de corpos que estão medicalizados dentro de seus muros,
não só dos alunos, que cada dia que se passa o número de transtornos ocupam cada vez mais suas cadeiras,
as também dos professores que estão adoecendo. A escola já é dita como um dos piores lugares de trabalho,
o número de jovens que buscam as licenciaturas está reduzindo cada vez mais.
Tal crise, demonstra que as instituições modernas, principalmente as disciplinares que produziam corpos
dóceis e úteis, vão perdendo sua eficácia, pois os corpos que são necessários agora, para essa nova época,
são corpos modulados e não mais dóceis e úteis. E não são somente as instituições que vão perdendo a sua
eficácia, mas também suas tecnologias e objetos técnicos que deixam de ser eficientes.
Não que sabemos efetivamente o que se dá nessa nova época que surge e nos envolve em nossos afazeres,
mas ela vem demonstrando que possuem outras maquinarias capazes de produzir corpos modulados, que
atendem a necessidade do sistema que se constitui.
Vivemos, portanto, um momento adequado para questionar a nossa própria civilização, sua organização e
assim realizarmos uma autocrítica. Uma delas, sem dúvida, está na valorização da razão pela Modernidade,
que procurou ocupar o lugar de uma transcendência, capaz não só de conhecer, explicar e dominar o mundo,
mas de moldá-lo a padrões únicos.
Aqui questionaremos seu reflexo Epistemológico, que para nós se resume muito mais a um programa do que
a uma aprendizagem verdadeiramente. Tanto que nossa Educação, desde sua origem, opera a partir da
transmissão do conhecimento enciclopédico, sonho Iluminista que inaugura a nossa escola. Operando,
portanto, sempre a partir de um conhecimento prévio, recognição, que chamamos na Educação de currículo
e infelizmente o que vemos não é uma tentativa de sair dessa programação em direção a uma aprendizagem,
mas de salvar o próprio currículo.
O que temos são tensões que ainda circulam em direção a uma valorização da razão em nome de uma
programação, que podemos chamar de aprendizagem racional transvestida de aprendizagem, que nunca
salvou ninguém e que ainda busca em seus discursos a proteção do conhecimento enciclopédico como o
único conhecimento válido, argumentando que outra aprendizagem ou conhecimento estaria esvaziando o
currículo.
O que propomos, em nosso Curso EDUCAÇÃO E AFETO: Quando a Aprendizagem Encontra o Que o
Corpo Pode. é buscar por um processo de aprendizagem que ao longo do tempo foi discriminado ao ser
rotulado como Aprendizagem Intuitiva, que se dá no corpo, em detrimento a uma Aprendizagem Racional,
dita superior. Dessa forma, buscamos encontrar nas relações do corpo com a realidade, os processos
vivenciados que se dão por problematização.
Não se trata de idealizar a Educação, muito menos a escola que não temos, mas sim partir da realidade que se
apresenta na própria escola, mas a um primeiro momento, validar, não o conhecimento enciclopédico, mas o
que o corpo pode, pois conhecer o que o corpo pode é abrir-se ao desejo e, dessa forma, possibilitar uma
aprendizagem “que não se deseja o que aprende, mas aprende o que se deseja” (BARROS).Vale ressaltar
que não somos contra a Razão e nem mesmo o que chamam de Aprendizagem Racional, principalmente
porque tanto a Razão como a Capacidade Racional estão relacionadas também com o que o corpo pode. Nós
só não a tratamos ou a relacionamos como algo a parte ou superior ao corpo, isto é, ao relacioná-las com o
que o corpo pode, não há nenhum binarismo e nem hierarquia.
AGOSTO: Aportes Filosóficos.
Encontro 1: Da Capacidade Criativa a Valorização da Razão.
Fatores Históricos
Encontro 2: O Pensamento Imanente e a Potência do Corpo.
Questões Conceituais
SETEMBRO: Cognição.
Encontro 3: A Aprendizagem Intuitiva e a Aprendizagem Racional.
O Corpo e a Aprendizagem
Encontro 4: Cognição Inventiva.
Um Corpo Cognoscível?
BIBLIOGRAFIA
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